A pobreza em Portugal, embora tenha registado avanços nas últimas décadas, continua a ser um desafio persistente e multifacetado. Projectar a situação para 2026 implica analisar as tendências actuais, as políticas em vigor e os potenciais choques económicos e sociais.

Em 2026, é provável que a pobreza monetária continue a ser um indicador central, medido pela percentagem da população com rendimentos abaixo de um determinado limiar, geralmente 60% da mediana do rendimento nacional. Embora as medidas de política social, como o Rendimento Social de Inserção (RSI) e as prestações sociais, devam continuar a mitigar parte desta realidade, a sua eficácia dependerá da sua adequação aos custos de vida e à inflação. A insegurança económica, mesmo para aqueles que não se encontram abaixo do limiar oficial, pode aumentar, com mais famílias a viverem com rendimentos voláteis e dificuldades em cobrir despesas inesperadas.

A pobreza de privação material, que avalia a incapacidade de aceder a bens e serviços essenciais, como aquecimento adequado, electrodomésticos básicos ou refeições nutritivas, é outra dimensão crítica. É expectável que em 2026 esta dimensão continue a afectar uma parcela significativa da população, especialmente as famílias com crianças e os idosos. A pressão inflacionária sobre os bens essenciais, como alimentos e energia, pode agravar esta situação, forçando escolhas difíceis e comprometendo a qualidade de vida.

A exclusão social, um conceito mais amplo que engloba a falta de acesso a oportunidades e à participação plena na sociedade, também continuará a ser relevante. A dificuldade em aceder a habitação digna, a serviços de saúde de qualidade, a educação e a oportunidades de emprego decente pode perpetuar ciclos de pobreza intergeracional. Em 2026, a capacidade de Portugal em combater estas barreiras determinará em grande medida o seu sucesso na redução da pobreza em todas as suas formas.

Diversos grupos em Portugal estarão particularmente expostos ao risco de pobreza em 2026. As famílias monoparentais, em grande parte lideradas por mulheres, enfrentam frequentemente dificuldades financeiras acrescidas devido à conciliação entre trabalho e responsabilidades familiares, bem como a desigualdades salariais. Os idosos, especialmente aqueles com pensões baixas ou que dependem de familiares para apoio, podem também estar em risco, particularmente num contexto de aumento do custo de vida e de potenciais cortes em apoios sociais.

Os jovens, embora muitas vezes menos afectados pela pobreza monetária estrita, enfrentam desafios significativos relacionados com a precariedade laboral, o desemprego e a dificuldade de acesso a habitação autónoma. A transição para a vida adulta pode ser marcada por instabilidade económica, dificultando a construção de um futuro seguro. Os imigrantes e as minorias étnicas podem enfrentar barreiras adicionais no acesso ao mercado de trabalho e a serviços, aumentando a sua vulnerabilidade.

Os desafios futuros para Portugal em 2026 incluem a necessidade de garantir um crescimento económico sustentável e inclusivo, que crie empregos de qualidade e aumente os rendimentos da população. A eficácia das políticas de protecção social será crucial, exigindo uma avaliação contínua e adaptação às necessidades da população. A habitação continuará a ser um ponto crítico, com a necessidade de políticas que garantam o acesso a moradia digna a preços acessíveis. Além disso, a transição energética e digital, embora promissoras, podem criar novas formas de exclusão se não forem acompanhadas por medidas de inclusão e requalificação profissional.

Em suma, a pobreza em Portugal em 2026 continuará a ser um problema complexo, com dimensões monetárias, de privação material e de exclusão social. Embora se possam antecipar esforços contínuos para mitigar os seus efeitos, a persistência de grupos vulneráveis e os desafios estruturais, como o acesso à habitação e a precariedade laboral, exigirão políticas activas e coordenadas. A capacidade de Portugal em promover um desenvolvimento económico equitativo e em fortalecer a sua rede de protecção social determinará o progresso na redução da pobreza e na promoção de uma sociedade mais justa e inclusiva nos próximos anos. A atenção contínua aos indicadores de pobreza e a adaptação das políticas às realidades em mudança serão fundamentais para enfrentar este desafio.

A pobreza em Portugal, embora tenha registado avanços nas últimas décadas, continua a ser um desafio persistente e multifacetado. Projectar a situação para 2026 implica analisar as tendências actuais, as políticas em vigor e os potenciais choques económicos e sociais.

Em 2026, é provável que a pobreza monetária continue a ser um indicador central, medido pela percentagem da população com rendimentos abaixo de 60% da mediana nacional como se disse e segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE) e da Pordata, cerca de 1,8 milhões de pessoas vivem abaixo desse limiar aproximadamente 17% da população. Este valor representa uma ligeira subida face a 2024, reflexo da inflação acumulada e do aumento dos custos de habitação e energia. Embora as medidas de política social, como o Rendimento Social de Inserção (RSI) e as prestações familiares, continuem a mitigar parte desta realidade, a sua eficácia depende da actualização dos montantes face ao custo de vida.

A insegurança económica, mesmo entre quem não se encontra abaixo do limiar oficial, tende a aumentar. Mais famílias vivem com rendimentos voláteis, contratos precários e dificuldades em cobrir despesas inesperadas. O trabalho pobre, aquele que não garante rendimentos suficientes para uma vida digna mantém‑se como fenómeno estrutural, afectando sobretudo jovens e trabalhadores dos sectores de serviços, turismo e agricultura.

A pobreza de privação material, que avalia a incapacidade de aceder a bens e serviços essenciais, continua a afectar cerca de 20% das famílias portuguesas, segundo dados de 2025. A pressão inflacionária sobre alimentos, energia e rendas agrava esta situação, forçando escolhas difíceis e comprometendo a qualidade de vida. O aumento dos preços da electricidade e do gás, mesmo com apoios como o tarifa social de energia, tem impacto directo na chamada pobreza energética, que atinge mais de 400 mil lares.

A exclusão social permanece como dimensão crítica. O acesso limitado a habitação digna, saúde de qualidade, educação e emprego decente perpetua ciclos de pobreza intergeracional. Em 2026, o sucesso das políticas públicas dependerá da capacidade de coordenar respostas entre ministérios e autarquias, evitando a fragmentação habitual das medidas.

Entre os principais apoios do Estado, destacam‑se:

  • Rendimento Social de Inserção (RSI) de cerca de 200 mil beneficiários, com valor médio mensal de €200-€250 por agregado.
  • Complemento Solidário para Idosos (CSI) que apoio a mais de 300 mil idosos, essencial para combater a pobreza na velhice.
  • Abono de Família e prestações sociais para crianças, abrangendo 1,1 milhões de menores, com reforço para famílias monoparentais.
  • Subsídio de desemprego e apoio extraordinário ao rendimento a cerca de 250 mil beneficiários, com impacto mitigador temporário.
  • Apoios à habitação com programas como o 1.º Direito e o Porta 65, que continuam insuficientes face à escalada dos preços.

Apesar destes mecanismos, o grau de cobertura das políticas sociais é limitado. Muitos trabalhadores precários ou informais ficam fora dos sistemas de protecção, e os montantes dos subsídios raramente acompanham o custo real de vida. O impacto da migração na pobreza é ambivalente. Por um lado, os migrantes contribuem para o crescimento económico e para a sustentabilidade demográfica; por outro, enfrentam vulnerabilidades específicas. Em 2026, Portugal acolhe cerca de 1,6 milhões de residentes estrangeiros, mas uma parte significativa trabalha em sectores de baixos salários e condições precárias. A nova legislação migratória, que exige rendimentos mínimos para renovação de vistos, pode agravar a exclusão de milhares de pessoas, empurrando‑as para situações de irregularidade e pobreza invisível.

Os idosos continuam entre os grupos mais vulneráveis em que cerca de 18% vivem abaixo do limiar de pobreza, e 22% enfrentam pobreza energética. As famílias monoparentais, sobretudo chefiadas por mulheres, registam taxas de pobreza superiores a 25%, devido à desigualdade salarial e à dificuldade de conciliar trabalho e cuidados. Os jovens enfrentam precariedade laboral e barreiras à emancipação, com o preço médio das rendas urbanas a ultrapassar €900 mensais em Lisboa e Porto.

A migração interna e externa também influencia a geografia da pobreza. As regiões do interior, como Beiras, Alentejo e Trás‑os‑Montes, continuam a apresentar maiores taxas de exclusão, enquanto as áreas metropolitanas concentram pobreza urbana e desigualdade habitacional. Em termos estruturais, Portugal enfrenta o desafio de garantir crescimento económico inclusivo. A transição energética e digital, embora promissora, pode criar novas formas de exclusão se não for acompanhada por requalificação profissional e apoios à adaptação tecnológica. O futuro da pobreza dependerá da capacidade de o Estado articular políticas de rendimento, habitação e emprego com uma visão de longo prazo.

Em suma, a pobreza em Portugal em 2026 continua a ser um problema complexo, com dimensões monetárias, de privação material e de exclusão social. Apesar dos esforços públicos, o número de pobres aumentou ligeiramente face a 2024, e os grupos vulneráveis mantêm‑se expostos a choques económicos. A eficácia das políticas sociais dependerá da sua capacidade de responder às novas realidades como inflação persistente, precariedade laboral e desigualdade habitacional e de integrar a população migrante num modelo de desenvolvimento verdadeiramente inclusivo.

Bibliografia

  • INE – Instituto Nacional de Estatística (2025). Rendimento e Condições de Vida. Lisboa: INE.
  • Pordata (2025). População em risco de pobreza. Fundação Francisco Manuel dos Santos.
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  • Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (2025). Relatório Anual da Segurança Social. Lisboa: MTSSS.
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  • Caritas Europa (2025). Poverty and Social Exclusion in Europe. Brussels: Caritas.
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Referências:

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