HOJEMACAU – A PESTE, A SIBÉRIA E O APOCALIPSE – JORGE RODRIGUES SIMÃO – 15.10.2026
A humanidade continua admirável na arte de tropeçar no perigo quotidiano e desfalecer perante o remoto. Enquanto colecciona noites mal dormidas e refeições industrializadas, entra em estado litúrgico ao ouvir “peste” e “Sibéria” na mesma frase. O caso de Irkutsk mostrou como o rumor mantém melhor saúde do que muitos cidadãos. Como observou William H. McNeill em “Plagues and Peoples“, as doenças acompanham a História com notável persistência; já John M. Barry, em “The Great Influenza“, recorda que o medo costuma viajar mais depressa do que os factos. A ciência conta casos; a ansiedade fabrica apocalipses por atacado.
Bibliografia:
McNeill, William H. Plagues and Peoples. Anchor Books, 1976.
Barry, John M. The Great Influenza: The Story of the Deadliest Pandemic in History. Penguin Books, 2004.
Jorge Rodrigues Simão, 2026
