JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

Era do ambiente

“Greenhouse gases could cause the globe to warm up, destroying our agriculture so that we will not have food. A nuclear war with as few as two hundred bombs could generate so much smoke and dust that the summer weather would be like winter, too cold for plants to grow. Although overpopulation may seem to be the opposite of the extinction of the human species, it could lead to poverty, starvation, and border wars over farmland. The energy crisis also could reduce us to poverty and ignite wars; indeed, some say that these wars have already begun.”

Ignoring the Apocalypse

David Howard Davis

O clima, a água e a energia marcam as nossas vidas, e fazem-nos lembrar diariamente, que o dado à Terra, por ela nos será devolvido. A humanidade tem enormes desafios, face à perda de produtividade e conservação dos oceanos e mares, esses grandes reservatórios de água que, dia após dia, contribuem solidariamente com a espécie humana, para regularizarem o clima a nível mundial, e proporcionarem alimentos, meios de vida sustentáveis, cenários de entretenimento e até elementos de inspiração.

Alguns dos aspectos, que criam as mudanças nas populações, dos diferentes locais do litoral marinho são perceptíveis, enquanto outros, passam indiferentes perante os olhares gerais, reduzindo cada vez mais a importância das águas.

Os pescadores guerreiros, nativos dos litorais desde Portugal à Grécia, com marcada experiência na faina da pesca, dizem que ao colocar a mão na água do mar, sentem-na mais quente; outros têm de entrar hora e meia, no oceano para poder pescar, pois muitas espécies não aparecem perto da costa, como acontecia antes, tal é o caso da sardinha, por exemplo.

A poluição lançada por infra-estruturas turísticas, e a quantidade de água que desce dos rios contaminados, provoca por vezes autênticas monstruosidades nos litorais, traduzidos em quantidades gigantescas de fauna marinha morta, e a maioria dos pescadores reconhece que as novas tecnologias do sector, prejudicam mais que beneficiam a pesca, e a reconstituição da biologia marinha.

Existe um fosso quase abismal, entre as práticas conhecidas como artes de pesca e as novas tecnologias, que produzem gases de estufa e têm a sua quota-parte de impacto sobre a fertilidade do mar. As práticas de pesca inapropriadas de todos os produtos do mar, marcam inexoravelmente a sua produtividade.

Muitos países realizam progressos, através do enquadramento legal da pesca de arraste, que tem por objecto, regular as empresas e barcos que praticam esse tipo de actividade, proporcionando a sua migração para outras formas de produtividade marinha, que permitem a recomposição de todo o tipo de espécies, que são extraídas das entranhas do mar, sem tomar em conta a sua fase de desenvolvimento, traduzindo-se numa grande perda de exemplares jovens, e logo, massivamente das populações marinhas.

Não obstante, estes avanços legais convivem com a carência de um sistema eficaz de avaliação, estudo, publicação e divulgação dos efeitos práticos de tal legislação. 

Os mares e oceanos vêem sendo alterados e sua produtividade sofre impactos, devido às actividades humanas, que se desenvolvem nas costas, e se estendem águas acima, dado que são os grandes colectores dos rios, que neles desaguam.

Os ecossistemas marinhos mais vulneráveis, são os primeiros indicadores biológicos, que acusam os efeitos dos impactos e da carência de responsabilidade ambiental. Entre os que mais sofrem, estão os recifes coralinos, que são organismos, que servem de ajustamento da corrente alimentícia de muita da fauna marinha, e lugar de reprodução de muitas espécies comerciais.

Estes, são muito susceptíveis ao impacto negativo da poluição, por águas usadas e não tratadas, pela sobrepesca, aumentos de temperatura e acidez das águas, devido a efeitos de gases estufa, excessos resultantes do turismo, descargas de águas quentes, causadas pelo funcionamento de centrais produtoras de electricidade, alterações de salinidade e turvamento das águas, como resultado da erosão e arraste de partículas, originadas pelo desflorestamento de árvores e queimas de vegetação.

Uma das fontes criadoras de fertilidade dos mares e oceanos, mais desconhecida das populações, é o plâncton ou microrganismos de origem vegetal, que na corrente trófica animal, constitui o elemento de nutrição principal dos peixes nas suas fases larval, jovem e adulta.

O crescimento e presença da população do plâncton, é o resultado da inter-relação de variáveis, que vão desde as temperaturas dos mares até a presença de poluentes químicos, passando pelo grau de acidez, falta de pureza e diluição dos elementos químicos no mar.

As alterações climáticas, são o resultado da presença crescente na atmosfera de gases de estufa, criados entre outros, pelo aumento de destruições e queimas indiscriminadas, efectuadas com o fim de ocupação de solos, de vastos depósitos de resíduos, de escapes de gases de veículos, de actividade industrial anárquica, sendo um dos elementos que contribuem para a diminuição da produtividade marinha. Os gases de estufa, originam alterações potenciais no grau de acidez dos mares, na sua temperatura, na diluição dos seus sais e nos seus níveis

Tais actividades, são cada vez mais identificadas pelas sociedades, cuja sensibilidade e educação ambiental tem vindo paulatinamente a aumentar, exigindo dos governos, o efectivo cumprimento das legislações existentes ou a sua feitura.

A acidificação dos mares, produto da presença crescente de dióxido de carbono (CO2), afecta a subsistência dos recifes coralinos. Estudos realizados pela Universidade de Queensland, publicados na revista “Science”, de 24 de Setembro, referem que 98 por cento do mar será atingido, sendo um terço do CO2 absorvido pela atmosfera, poluindo progressivamente e atingindo os recifes coralinos. Entre eles, os localizados no mar das Caraíbas, serão dos primeiros a ser lesados em 2050, e tudo o que depende da sua existência.

Estes impactos negativos dos gases de efeito estufa, não só constituem uma ameaça terrível às populações marinhas e às comunidades humanas que se estabeleceram nas costas, mas também à produtividade dos países, quando atingem de forma significativa alguns parâmetros ambientais, como a temperatura, salinidade, limpidez da água, pH e radiação luminosa, podendo alterar os níveis do mar e as infra-estruturas de comunidades, em termos habitacionais e industriais, com consequências nefastas nas actividades que nelas se desenvolvem.

A biologia que se devia aprender mais nas escolas em profundidade, passa muita das vezes, ilusoriamente pelo conhecimento das variações biológicas, as alterações de carácter, as alterações de ácido desoxirribonucleico (ADN) e a simbiogénese.

Temos obrigação de conhecer a herança das variações e do potencial biótico, em que são produzidos mais indivíduos do que aqueles que poderão sobreviver, no seio das populações de todos os seres, de todos os tempos.

Temos obrigação de saber, qual a forma mais eficaz de nos livrarmos de organismos vivos, por exemplo, baratas que pululam Macau, não é matá-las uma por uma, mas sim alterar completamente o seu “habitat”; pelo contrário, se pretendemos que proliferem, devemos proporcionar-lhes mais “habitat”.

Temos obrigação de conhecer o efeito de sobrepovoamento; que o lixo nunca desaparece, circula interminavelmente; que a matéria nunca se perde, gira e que as células humanas não acolhem bactérias fotossintéticas, ao contrário das células das plantas.

Temos obrigação de saber que existem limites naturais ao crescimento de todas as populações e que não pode ser ensinado, porque a nossa civilização, diz-nos que os seres humanos dominam a Terra. E a civilização só vê dinheiro.

Jorge Rodrigues Simão, in "HojeMacau", 05.11.2010

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