JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

Acusados ao tribunal do desemprego

 How Sustainable Development Can Lead to Economic Growth: Finland, Indonesia, and Mexico (2011)

Theory

 

“Economic development also requires a change in the structure of employment: workers must be assured of an increasing share in the productivity increments that take place in each sector. But privileged classes resist measures that would ensure this – such as those that enable trade unionism to develop as an effective instrument of working-class representation.”

 

Re-Envisioning Global Development

Sandra Halperin

 

Os sacrifícios aparentemente consentidos em favor da construção europeia, políticas restritivas, prioridade absoluta anteriormente dada contra a inflação, incapacidade em repartir equitativamente o peso do rigor, serão as razões fundamentais e suficientes para explicar a subida vertiginosa do desemprego na Europa?

É habitual, a propósito desta crise sem precedentes, convocar vários acusados ao tribunal do desemprego. O primeiro acusado, é o que se poderia denominar de nova maquinaria. O progresso tecnológico sói dizer-se que é o co-responsável pela situação. A nova revolução industrial, e nomeadamente a revolução informática ou digital, explicariam a rarefacção do trabalho disponível nas nossas sociedades.

As nossas economias ter-se-iam tornado tão produtivas que, por todo o lado, a máquina substituiria o homem e que, desse modo, o trabalho humano tornar-se-ia supérfluo. Estaríamos perante um problema crónico de sobre produção, em que as máquinas podem produzir em quantidade quase ilimitada, mas não consomem.

O progresso das técnicas seria assim desfavorável ao emprego. É verdade que esta tese tem alguns pergaminhos de nobreza, pois foi codificada em 1817, pelo economista inglês, David Ricardo, no seu estudo sobre “A Questão das Máquinas”, mas com algumas cautelas, pois dizia que a utilização das máquinas podia tornar o trabalho redundante, se fossem introduzidas de forma súbita e não progressiva.

Tal tese é presentemente, em ambos os lados do Atlântico, defendida de maneira muito mais afirmativa, não apenas pelo homem comum, mas também pelos políticos bem informados. É muito discutível, e se acaso não nos quisermos enganar sobre as causas do desemprego, é forçoso uma rápida observação.

A análise do passado recente revela um paradoxo frequentemente esquecido, aquele em que as fases de crescimento rápido da produtividade foram a maior parte das vezes períodos de prosperidade, caracterizadas por um nível de emprego elevado. Assim, em alguns dos países mais desenvolvidos da Europa, como por exemplo a França, a produtividade da mão-de-obra cresceu ao ritmo médio de cerca de 5 por cento por ano, de 1960 a 1975, enquanto a taxa de desemprego médio era de 2 por cento.

 Além disso, a subida do desemprego na Europa coincidiu, contrariamente ao que se pensava, com uma inflexão significativa da produtividade, surgida no início da década de 1970, o seu ritmo diminuiu progressivamente para metade, continuando a enfraquecer, enquanto o desemprego cresceu de 2 por cento para 10 por cento no começo da década de 1990, e atinge o pico máximo no decurso da presente crise do “Euro”. Existe explicação plausível para esta aparente contradição?

A melhor metodologia parece ser a de adoptar uma abordagem empírica, procurando identificar em primeiro lugar, a existência de uma relação entre emprego e produtividade, tanto a longo, como a curto prazo. A produtividade do trabalho, por definição, é a relação entre produção e emprego. Logo, o emprego é igual à relação da produção com a produtividade. Tal definição, por elementar que seja, comporta uma lição útil, o das consequências de um aumento da produtividade sobre o emprego dependem do que acontece ao volume da produção.

É verdade, quer ao nível mais elementar, o da oficina de uma empresa, como ao nível mais global, o da economia no seu conjunto. O crescimento da produtividade, na verdade, é assimilável a um choque positivo da oferta, que permite produzir mais com a mesma quantidade de trabalho. O facto do emprego aumentar ou diminuir depende das saídas que o mercado oferece, ou seja da procura.

A ligação entre crescimento da produtividade (divisão do trabalho) tinha sido sublinhada pelo economista escocês, Adam Smith, em 1776. O entendimento segundo o qual o progresso técnico engendra desemprego equivale a pensar que a procura global não pode aumentar o suficiente para absorver o excesso de produção que permite a evolução da produtividade. A procura global é influenciada, especialmente, pelas políticas macroeconómicas e orçamentais.

A tese do desemprego tecnológico consistiria em afirmar que as políticas macroeconómicas não poderiam, ou não desejariam, suscitar um aumento da procura global tal que possa manter o nível de do emprego. O que acontece efectivamente? A resposta depende, essencialmente, da reacção da procura global perante um choque de produtividade.

A oferta e a procura são como as duas lâminas de uma tesoura, segundo a fórmula do economista inglês Alfred Marshall, e é particularmente difícil isolar a influência de uma sobre a outra. Além disso, é um domínio ainda relativamente pouco desenvolvido, e dos mais controversos, da teoria económica.

A existência de um ciclo da produtividade é uma realidade de todos, conhecida. É a mais bem estabelecida das realidades empíricas; a produtividade cresce em geral mais rápido que a sua tendência nas fases ascendentes do ciclo, aquelas onde o emprego sobe, e inversamente. É possível, superficialmente, deduzir a existência de uma influência positiva da produtividade sobre o emprego.

É de utilizar o termo “superficialmente”, porque o sentido da causalidade entre as duas variáveis não é claro. É igualmente, possível de acontecer, que a regularidade empírica reflicta uma causalidade, indo da procura global e do emprego à produtividade. A inquietação quanto ao efeito do progresso técnico nada tem a ver com esta causalidade, pois exprime o receio de que um crescimento autónomo de produtividade seja, no fim de contas, destruidor de emprego.

O método possível de verificação empírica consiste em tentar desembaraçar as influências conjunturais e estudar as evoluções de longo prazo. Apesar de tudo, é possível que a tese do desemprego tecnológico se refira a períodos de tempo muito mais longos, que os que dizem respeito aos ciclos de produtividade. As séries temporais disponíveis, infelizmente, não são nem suficientemente longas nem fiáveis para permitir uma análise segura desta problemática complexa.

É instrutivo, ter uma visão de conjunto das tendências a logo prazo observadas, por exemplo, em França e nos Estados Unidos, desde o final do século XIX até ao presente. A correlação entre produtividade e desemprego é negativa nos dois países, mas mais elevada no segundo que no primeiro, dado que um aumento do ritmo de crescimento da produtividade está associado a taxas de desemprego mais fracas.

A ser efectuada a abstracção da década de 1930, onde é possível pensar que tenha sido a depressão a suscitar a estagnação da produtividade e não o inverso, não existe qualquer correlação entre as duas variáveis. O estudo do passado de todo, não confirma o ponto de vista pessimista sobre a possibilidade de um desemprego tecnológico persistente.

A continuação da análise das correlações de curto prazo entre desemprego e crescimento da produtividade, conduz à necessidade de tentar identificar os choques autónomos da produtividade. A oferta, ao criar a procura de forma espontânea, como pensava o economista francês, Jean-Baptiste Say, ou pela mediação das reacções de política económica, as evoluções favoráveis de produtividade não teriam efeitos nefastos sobre o emprego, pois seriam acompanhadas de um crescimento das saídas de mercado.

As conclusões dos estudos teóricos e empíricos realizados pelo grupo internacional de política económica do “Observatoire Français des Conjonctures Économiques (OFCE)” mostram que os efeitos do crescimento da produtividade sobre o emprego são aparentemente negligenciáveis, o que leva a pensar que a análise de curto prazo confirma, e de maneira fundamental, a intuição que decorre da observação das evoluções seculares, pelo que não existe relação entre o ritmo de crescimento da produtividade e a taxa de desemprego.

As lições da teoria e os dados da observação parecem, assim convergir. O meio de reencontrar um nível elevado de emprego não consiste em renunciar ao crescimento da produtividade, mas criar as condições para que a procura global se estabeleça a nível suficiente.

 

Jorge Rodrigues Simão, in “HojeMacau”, 30.08.2013

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Published on 21 Aug 2013

Economic growth is the increase in the amount of the goods and services produced by an economy over time. It is conventionally measured as the percent rate of increase in real gross domestic product, or real GDP.[1] Growth is usually calculated in real terms -- i.e., inflation-adjusted terms -- to eliminate the distorting effect of inflation on the price of goods produced. In economics, "economic growth" or "economic growth theory" typically refers to growth of potential output, i.e., production at "full employment".
As an area of study, economic growth is generally distinguished from development economics. The former is primarily the study of how countries can advance their economies. The latter is the study of the economic aspects of the development process in low-income countries. See also Economic development.
Since economic growth is measured as the annual percent change of gross domestic product (GDP), it has all the advantages and drawbacks of that measure.

Happiness has been shown to increase with a higher GDP per capita, at least up to a level of $15,000 per person.[55]
Economic growth has the indirect potential to alleviate poverty, as a result of a simultaneous increase in employment opportunities and increase labour productivity.[56] A study by researchers at the Overseas Development Institute (ODI) of 24 countries that experienced growth found that in 18 cases, poverty was alleviated.[56] However, employment is no guarantee of escaping poverty, the International Labour Organisation (ILO) estimates that as many as 40% of workers as poor, not earning enough to keep their families above the $2 a day poverty line.[56] For instance, in India most of the chronically poor are wage earners in formal employment, because their jobs are insecure and low paid and offer no chance to accumulate wealth to avoid risks.[56] This appears to be the result of a negative relationship between employment creation and increased productivity, when a simultaneous positive increase is required to reduced poverty. According to the UNRISD, increasing labour productivity appears to have a negative impact on job creation: in the 1960s, a 1% increase in output per worker was associated with a reduction in employment growth of 0.07%, by the first decade of this century the same productivity increase implies reduced employment growth by 0.54%.[56]
Increases in employment without increases in productivity leads to a rise in the number of working poor, which is why some experts are now promoting the creation of "quality" and not "quantity" in labour market policies.[56] This approach does highlight how higher productivity has helped reduce poverty in East Asia, but the negative impact is beginning to show.[56] In Vietnam, for example, employment growth has slowed while productivity growth has continued.[56] Furthermore, productivity increases do not always lead to increased wages, as can be seen in the United States, where the gap between productivity and wages has been rising since the 1980s.[56] The ODI study showed that other sectors were just as important in reducing unemployment, as manufacturing.[56] The services sector is most effective at translating productivity growth into employment growth. Agriculture provides a safety net for jobs and economic buffer when other sectors are struggling.[56] This study suggests a more nuanced understanding of economic growth and quality of life and poverty alleviation.

http://en.wikipedia.org/wiki/Economic...

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