JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

Política sem futuro

Mario1

“We’re not Japan. In America, the bet is still that we will somehow find ways to get people spending and investing again. To expect the American governing class at the top to change the direction of the economy that has brought its members prosperity-yes. To expect a confused and divided citizenry to agree on a common economic agenda and impose it on the governing class-yes. What then is the citizen to do? Wait until the next economic catastrophe? Perhaps if, next time, instead of just twelve trillion dollars, the markets lose twenty-five trillion dollars, and instead of reaching percent, the unemployment rate goes to 20 percent, perhaps then our governing class will act for the good of the country. Or perhaps then the people will rise up”.

The Servant Economy: Where America's Elite is Sending the Middle Class

Jeff Faux

As sociedades dos países desenvolvidos do ocidente, não em exclusivo, estão a criar uma nova pobreza, que não se pode considerar como fatalidade, mas resultado de uma negligência financeira. Esta situação não é resultado, apenas da crise financeira de 2007-2008 e consequente recessão, porque, surge de más práticas financeiras, que se têm acumulado, durante os últimos trinta anos.

É um escândalo que perante a ameaça do desemprego, que apresenta as maiores taxas, entre a população juvenil, tomem consciência e constatem que não necessitam dessa miséria, desesperadamente aparecida para viverem, porque são o único futuro, que pode alterar o “estado de coisas reinante”.

Sabemos que existe uma relação entre o desemprego, os delitos contra a propriedade e a população prisional, ou seja, entre desemprego, delinquência, criminalidade, violência, marginalidade e exclusão social, todas faces da mesma moeda. Quase 50 por cento dessa população, nos Estados Unidos, passou em algum momento da sua vida, pela situação de desemprego.

Os furtos com lesões corporais e fractura, em duas décadas aumentaram 60 por cento na Alemanha. A nossa sociedade, para essa juventude, chegou ao fim. Não existe futuro, “no-future”, é o seu clamor atormentado. Quem tem esperança, poupa no presente, para investir no futuro. Quem não tem esperança e não deseja nenhum futuro, desfruta o presente sem responsabilidade, contraindo dívidas, (uma das características dos pacientes da doença mental, denominada, por “bipolaridade”, ou “transtorno maníaco-depressivo”, que põe em estado de sítio e de choque, quem com eles convive, e que vão aumentando catastroficamente, segundo a “OMS”) que os seus filhos, ou outros, terão de pagar no futuro.

A esperança ou o desespero de uma sociedade, espelham-se nos seus investimentos e nas suas dívidas. As sociedades dos países desenvolvidos e de alguns países em desenvolvimento ou emergentes, não são apenas credoras dos países subdesenvolvidos, menos avançados ou menos desenvolvidos, cada vez mais endividados, mas começando pelos Estados Unidos e passando pela União Europeia, vão agravando constantemente o seu deficit público, com imensas dívidas, prejudicando os nossos filhos e as gerações futuras, com pesadas cargas, tornando a sua vida quase impossível. É a política sem futuro, “no-future-politics”.

Apesar da situação de desespero das sociedades dos países desenvolvidos, acompanhadas por algumas de países em desenvolvimento, continuam a proteger-se umas contra as outras, na corrida armamentista, vivendo no “Sistema da Dissuasão Nuclear”, com temor à mútua aniquilação, investindo mais em meios para a segurança, desde o mais sofisticado equipamento bélico e nuclear, até à “Iniciativa de Defesa Estratégica”, em que a certeza de uma destruição recíproca, após o termo, há muito da “guerra fria”, em 1991, alargada a grupos terroristas, após o 11 de Setembro de 2001, com maior intensidade, deve garantir a segurança.

Quantos mais meios investirem nesta segurança, menor valor terá, o que se quer assegurar. A dissuasão nuclear, ameaça não apenas aniquilar o potencial inimigo, mas toda a humanidade e forma de vida do planeta, ou seja, encerra o perigo final de um genocídio político. A humanidade no seu conjunto tornou-se vulnerável, e são uns reduzidos sistemas político-militares, no mundo multipolar ou uni-multipolar, que decidem sobre a sua extinção ou sobrevivência.

Temos de reconhecer como afirmou, o filósofo judeu-alemão, Günther Anders, que em Hiroshima e Nagasaki começou, em 1945, o possível fim da humanidade. O final do futuro é uma constante possibilidade. A sociedade industrial moderna, produziu mais riqueza que nenhuma outra, ao largo da história. Mas produziu riqueza à custa  da natureza. Até ao presente, nenhuma sociedade humana tinha causado tantos danos e tão irreparáveis ao meio ambiente.

A crise ecológica, que as nossas sociedades tem conduzido a natureza e os seres humanos, converteu-se, numa verdadeira, catástrofe ecológica, pelo menos para os seres vivos mais débeis, neles se incluindo 1300 milhões de pessoas (número que aumentou), ou seja, 25 por cento da população mundial (dado de 2005 do Banco Mundial).

Os líderes políticos que têm o dever de reduzir o maior risco que a humanidade corre, simplesmente, ignoram irresponsavelmente, sabendo que a natureza se pode degradar de tal forma, que um dia a humanidade, como no tempo dos dinossauros, pura e simplesmente extinguir-se-á como espécie.

O que torna este pensamento mais preocupante, é a suspeita de que a decisão podia ter sido tomada de forma irreversível, porque não é possível controlar os gases tóxicos que ascendem e destroem a camada de ozono que rodeia o planeta, e infiltra-se no seu solo. O destino da humanidade, deste modo, estaria traçado antes da evidência dos sintomas da sua extinção. Assim, não teríamos futuro, mas apenas um presente, que não tardará em converter-se em passado.

A sociedade criou um tipo de individualismo, em que cada um, procura apenas conquistar e assegurar a sua liberdade, e se possível alargá-la, sem que ninguém se interesse demasiado, por proteger a dos outros. Por força, do princípio da concorrência, os mais aptos, hábeis e delinquentes (a “Organização Internacional do Trabalho - OIT”, estima que existam quase 400 milhões de pessoas que se dedicam à economia informal ou subterrânea, paralela, da periferia – o enfraquecimento do controlo do poder paternal, insucesso escolar, empregos precários e desemprego, são algumas das causas, faz deslocar as pessoas para este tipo de economia ilegal e de prática delinquente) são recompensados, enquanto os débeis e menos capazes são punidos.

 Se acrescentarmos o facto, de que em princípio, o emprego, profissão ou posto de trabalho é um bem cada vez mais escasso, então surge a luta de todos contra todos, e daí resulta uma sociedade de oportunistas, aumentando diariamente, o número de pessoas atiradas para os mais baixos estratos.

A ideologia de que “nunca existe o suficiente para todos”, está a criar seres humanos solitários e afastados, privando-os de verdadeiras relações com os demais, provocando-lhes a morte social e a doença psicológica/mental. Os seres humanos, apenas poderão a voltar a viver de forma humana na sociedade, se as comunidades forem reconstruídas e reconhecerem que as pessoas, só podem desenvolver a sua personalidade, num âmbito relacional e comunitário.

A alternativa à pobreza nunca foi a propriedade, mas a comunidade, em que o princípio vital é a ajuda mútua e a solidariedade, quer em relação ao mundo animal, quer ao dos seres humanos, como demonstrou o geógrafo e escritor russo Piotr Kropotkin, em contraposição ao darwinismo social, no seu livro “Mutual Aid: A Factor of Evolution”, publicado em 1902. Os seres humanos, na comunidade tornam-se ricos (desconsiderando a propriedade) em amigos, colegas, vizinhos, entre outros, podendo confiar em caso de necessidade.

Apenas colectivamente, como comunidade, é possível as pessoas ajudarem-se mutuamente, na maioria das dificuldades, pelo que colectiva e solidariamente, como comunidade têm a força suficiente para traçar o seu destino. Se ao invés, se dividem, tornam-se susceptíveis de serem dominadas, segundo o antigo ditado romano “divide ut regres – divide e reinarás ou vencerás”. A comunidade é o verdadeiro escudo da liberdade do ser humano, significando, que o atentado contra a comunidade, é também, contra a sua liberdade.

Todavia, a comunidade é por tradição conservadora, mesmo que as pessoas possam ser criativas. Os seres humanos desenvolvem-se em comunidade, e a comunidade humana transforma as pessoas. A sociedade é sempre centralista e estabelece nas metrópoles, os grandes centros industriais e administrativos, empobrecendo os pequenos municípios e desertificando o campo.

A reconstrução da sociedade, deve passar pelas pequenas unidades territoriais administrativas, com autonomia política, administrativa e financeira, na maioria das situações, mais específicas, mensuráveis e habitáveis, o que obrigará à transferência de funções e tarefas dos órgãos centrais. A descentralização, na era digital não constitui problema técnico.

A sociedade tem nas comunidades independentes, dimensões mais vivas e humanas. Toda a delegação de tarefas, que podemos realizar conduz à alienação. O trabalho é uma exigência fundamental da vida humana, porque não apenas assegura a subsistência material, mas também, proporciona reconhecimento social e auto-estima pessoal, ou abreviando, forma a personalidade. O direito ao trabalho é algo mais que um direito material, pois pertence ao âmbito mais intrínseco da pessoa. A forma pela qual se tem de trabalhar e repartir as possibilidades do trabalho determinará não apenas o destino pessoal, mas também, o colectivo.

A China entra no dia 13, no “Ano da Serpente”, tempo difícil, pois a crise do euro tem-se propagado às economias emergentes, e segundo o último relatório da “OIT”, no Sudeste Asiático e Pacífico, o desemprego é de 13,1 por cento, aumentando até 2017, para 14,2 por cento.

Sendo o “Ano da Serpente”, caracterizado pela calma, reflexão e planeamento, condições necessárias para a resolução de tão preocupante situação, desejamos que seja encontrada a solução para a sua diminuição, e que não seja devida ao desalento dos jovens, em deixar de procurar emprego.

Feliz Ano Novo da Serpente!!!

Jorge Rodrigues Simão, in “HojeMacau”, 15.02.2013
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