JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

O Fórum Económico Mundial (I)

“The weakest link in global growth was the American consumer, who had begun to cut back his expenditure. When and if this downturn materializes, the developing countries of Asia could be in trouble since they are dependent on the US market."

Sephen Roach

Os líderes das economias dos países desenvolvidos, como a Chanceler alemã Ângela Merkel, e das economias emergentes, como a Índia, participaram no Fórum o Económico Mundial (WEF) que se realizou em Davos, com a primeira sessão a 25 de Janeiro, com a confirmação do crescimento económico global em 2005 e perspectivando para o corrente ano um rendimento líquido superior, por via de um crescimento do fluxo comercial.

Esta iniciativa contou com a presença de líderes como o Secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o Presidente do Paquistão, uma razoável representação de dirigentes da China e Índia. O interesse pela questão energética teve a tentativa de ser retirada da agenda pela Rússia e Irão. No total estiveram presentes quinze Chefes de Estado e de Governo, 60 Ministros, 30 dirigentes de Organizações Não Governamentais (ONGs), 23 representantes religiosos, centenas de empresários, num total de 2350 participantes de 89 países.

As estrelas do desporto mundial que estiveram presentes no passado ano, deram lugar este ano a actores socialmente comprometidos. O Presidente do WEF, Klaus Schwab, teve a ideia de que actualmente a melhor forma de transmitir publicamente uma mensagem de interesse geral, teria maior eficácia se o fosse por Angelina Jolie ou por um grande futebolista.

Uma reunião com estas proporções, requereu um corpo de segurança de 5500 soldados suíços.

Os vivos protestos que desde há alguns anos se vêem a produzir trouxeram, novas manifestações contra o Fórum em várias cidades suíças e em Zurique foi pintado o Banco Central, cujos danos ascendem a 75000 euros.

Por mais que aspire a influenciar a economia mundial com as suas previsões e opiniões, Davos nem sempre é correcto nas suas apreciações e a economia ao contrário das conclusões do Fórum de 2005 viveu sem os dramas inflacionários, deficitários ou comerciais arriscados, ainda que continue sem o Acordo Comercial da Organização Mundial de Comércio (OMC).

O Comissário Europeu para o Comércio Peter Mandelsson acusou as poderosas economias emergentes como o Brasil de terem bloqueado o acordo, ainda que houvesse maiores indícios de flexibilidade agrícola por parte da União Europeia (UE).

Apesar do aumento do crude, o mercado cambial tem-se ajustado e a economia mundial continuou o seu ritmo dinâmico que vinha do passado ano, segundo as previsões da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) nos seus respectivos relatórios de análise para o primeiro semestre do ano.

O FMI espera poder subir a taxa do seu prognóstico de crescimento económico mundial de 4,3%; o Japão está a crescer à taxa de 2% e só a bolsa parece antecipar algumas nuvens na economia americana.

Estima-se que o pilar económico do crescimento global está a deslocar-se e a monitorização efectuada prevê movimentos, a favor da recuperação da liquidez desde a borbulha de 2000, com a redução para metade da dívida das empresas europeias e asiáticas.

O volume europeu de fusões e compras cresceu 50% nos últimos 12 meses como consequência da serenidade e das favoráveis previsões a curto prazo. A China e a Índia eram as maiores economias do mundo no século XIX e num curto espaço de tempo voltarão a ser novamente.

Quem não se adapte às mudanças requeridas pela economia mundial pagará pela sua preguiça e a conta final será negativa.

Aquando da inauguração do Fórum de Davos foi afirmado que a Itália seria o país menos competitivo da Europa. Pelo contrário, foi elogiada a recuperação da competitividade alemã e o êxito do crescimento espanhol, ainda que a sua parca população limite o tamanho da sua economia.

Pensamos que os países desenvolvidos (PD) devem continuar e os países em vias de desenvolvimento (PVD) seguir a via da pesquisa e investir generosamente na área da inovação, ou as suas economias irão perder para sempre o comboio da competitividade em 2010 pela China, Índia, Rússia e Brasil e, em algumas décadas, pelo México, tornando muito complicada a vida das economias da América do Sul e do futuro dos seus regionalismos económicos que dão os seus primeiros passos.

A batalha da globalização económica ir-se-á dar no campo da inovação que servirá em termos económicos, como o foi a Selecção Natural teorizada por Charles Darwin. A economia de PDs vivem a frustração do anúncio da China ter passado a França como quinta economia mundial, como tínhamos previsto neste e noutros espaços semanas antes, tendo-se colocado ao lado do Reino Unido em quarta posição global com 1,74 mil milhões de dólares.

A deslocação do pilar da economia mundial só é comparável com a emergência dos Estados Unidos como potência mundial a partir dos anos de 1920.

As economias emergentes e especialmente o chamado “Grupo BRIC” constituído pelo Brasil, Rússia, Índia e China monopolizam em termos capitalizados grande parte da economia mundial e, segundo o Produto Interno Bruto (PIB) por Purchasing Power Parity ou Paridade do Poder de Compra (PPP) *, produziram pela primeira vez em 2005 mais que as economias desenvolvidas da OCDE, ou seja 51% do PIB mundial.

Recorde-se que em 2005, a China foi o maior exportador mundial de tecnologia de informação (IT), depois de ter superado há dois anos o Japão e a UE.

Uma nova estratégia criou, a de investir no exterior, fazendo-o, com uma parte em Títulos do Tesouro e da Dívida Externa americana, e investindo de forma activa em África.

O Vice-Primeiro Ministro chinês afirmou em Davos que o seu país China foi receptor de investimento estrangeiro em 2005 no valor de 60000 milhões de dólares, tendo importado um valor dez vezes superior em bens, e que a China não pode viver isolada do mundo, nem este da China.

A Índia, país convidado do Fórum Económico Mundial, representa um terço do PIB da China.

Existe um interesse global na Índia, sendo prioridade de muitos bancos comerciais europeus, com principal destaque para a Alemanha. Tudo porque a Índia, oferece vantagens como a transparência empresarial, um sólido sistema legal, e bancário.

A Índia está a investir no exterior e a sua maior empresa petroquímica, Reliance irá assinar um contrato com a empresa colombiana Ecopetrol no segundo semestre deste ano. Existe um optimismo entre os empresários, com 63% a confiar que a globalização tenha um efeito positivo sobre as sua contas de resultados nos próximos três anos, e cerca de 71% esperam fazer negócios na China, Índia, Rússia e Brasil.

Houve quem pusesse uma nota negativa ao optimismo revelado para 2006, que detectou em líderes políticos e mercados um arriscado grau de complacência, apesar dos visíveis desequilíbrios na economia mundial.

A Secretária de Trabalho dos Estados Unidos disse que a curto prazo o seu país necessitará de contratar três milhões de profissionais da área médica, dado o envelhecimento da população, e as profissões tradicionais voltarão a ser muito solicitadas. Contendo uma agenda diversificada e extensa continuar-se-á a apreciar esta matéria na próxima semana.

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*PPP (Purchasing Power Parity-Paridade do Poder de Compra) foi desenvolvido por diversas instituições financeiras (IMF), Universidades (Pensilvânia) sendo o mais popular o “Big Mac” desenvolvido pela revista “The Economist”. O factor de conversão Paridade do Poder de Compra é o número de unidades da moeda de um país necessário para adquirir a mesma quantidade de bens e serviços no mercado doméstico que 1 dólar ou 1 Euro podem comprar nos Estados Unidos ou na Europa, por exemplo.
Jorge Rodrigues Simão in “HojeMacau”, 02.02.2006
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