JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

O Fórum Económico Mundial (II)

“China’s oil hunger is increasing rapidly, and the situation in India will be similar in 5 to 10 years. Other Southeast Asian countries have also embarked on a course of rapid economic growth. All of them will develop such an enormous need for oil that classical large oil-supply recipients in the industrialised west will soon have major difficulties getting enough oil for their needs."

Friedmann Mueller

O Fórum Económico de Davos considerou que o corrente ano é propício a uma relativa estabilidade, sem grandes riscos económicos e com uma tendência para as fusões e aquisições de empresas. Os riscos económicos devem encarar-se global e preventivamente, ainda que os mesmos mais do que económicos serão devidos ao terrorismo e à gripe aviar.

A gripe aviar é o factor mais preocupante para a comunidade empresarial em 2006, mas num mundo em contínua mutação, sendo por si um risco acrescido a falta de entendimento nesse sentido, e por consequência, deixar de inovar e pôr criatividade na procura de novas soluções.

Atentados, tsunamis, furacões ou pandemias como o H5N1 da gripe aviar, para além das crises fiscais, são alguns dos impactos que pode ter que enfrentar o sistema económico a nível global, que, apesar de tudo, se encontra mais estável e dinâmico e que em 2005 esteve mais protegido contra a escalada dos preços do petróleo.

Para a economia global, o preço da energia é, seguido dos desequilíbrios económicos, as grandes razões de preocupação, representando o fundamentalismo 6%. Para os actores do sistema económico, o maior desafio global é o crescimento e a criação de emprego, seguido da competitividade mundial, representando 54% das preocupações.

Pelo contrário, o futuro do emprego vê-se prejudicado pela inovação e tecnologia, representando 27%; a reciclagem profissional 25% e a mobilidade do trabalho 20%. O envelhecimento demográfico 15%.

O maior repto para as empresas, é a adaptação tecnológica e a emergência de novos mercados, representando 40% das preocupações. Para o fundador do Fórum, Klaus Schwab, que afirmou que num mundo interconectado as nossas vulnerabilidades são globais e a responsabilidade é comum em acelerar e mitigar, enquanto os meios usados na década passada são inadequados e seria imperativo procurar em todas as áreas novas capacidades de resolução.

O Reitor da Universidade de Harvard afirmou que o maior desafio é encontrar a energia e a imaginação para abordar hoje os problemas de amanhã. Ainda que economicamente o prognóstico para 2006 seja em geral positivo, espera-se como se disse um ano de fusões e aquisições, e a Ásia é olhada como o principal mercado para o crescimento das empresas.

As possibilidades de fusão e reajustes em mercados consolidados como os europeus são já limitadas; mas existindo de facto a liquidez necessária, a avidez de lucro dirigir-se-á para outros mercados multinacionais.

Os europeus parecem dispostos a comprar no exterior, de forma a estimular os seus balanços; a tendência no sector financeiro é de penetrar nos novos mercados e em outras zonas geográficas do mundo, e as perspectivas de crescimento para o sector financeiro parecem notáveis prevendo-se entre 5% e 14% de aumento de valor de mercado.

A contínua exportação de capitais de países em desenvolvimento para as economias mais ricas constitui uma profunda anormalidade do mercado global de capitais que não beneficia ninguém, segundo afirmou o Presidente do Banco Central Europeu (BCE).

É de lamentar que os Estados Unidos, entre outras economias desenvolvidas, recebam actualmente constante fluxo em massa de dinheiro, desde países do terceiro mundo, o que supõe um dos grandes desequilíbrios da economia mundial.

Além de prejudicar o horizonte de desenvolvimento, o risco é de servirem de encobrimento a outros desequilíbrios, como os da economia dos Estados Unidos mediante a compra de bónus e dólares; quando chegassem ao ser termo deixariam um panorama de graves desajustes financeiros.

O Ministro de Finanças da Índia, disse que os desequilíbrios globais aprofundam-se e têm graves consequências para os países emergentes como o seu, um dos novos dragões económicos.

Os Estados Unidos não estão a visionar o problema. Não é sustentável a longo prazo que o mundo em desenvolvimento financie o mundo desenvolvido, no que diz respeito a injecções de capital que este não precisa e os países emergentes sim.

Em muitos casos provem da grande liquidez do crude e enquanto em outros países com programas ocidentais de investimento e ajuda ao desenvolvimento atacam o seu próprio desenvolvimento reinvestindo a sua liquidez no Ocidente.

O horizonte imediato é geralmente encorajador, com uma economia americana sustentada, recuperação da Alemanha e da União Europeia (UE), plena aceleração da China, a Índia em crescimento e o ressurgimento do Japão.

Com quase 4% de crescimento global, o ano de 2005 terminou de uma forma digna, apesar dos frutos de uma economia em expansão estarem cada vez mais mal distribuídos e os países subdesenvolvidos beneficiarem de uma terça parte menos, ou seja 60 centavos por cada 100 dólares, face aos 2 dólares de 100 de há três décadas, do crescimento global.

Enumeram-se três riscos graves para a economia: o primeiro seria uma queda do dólar, o segundo um aumento inesperado das taxas de juro americanas e, o terceiro, que uma escalada dos preços da energia leve a um cenário inflacionista.

Outras intervenções produzidas em Davos mostraram as suas dúvidas sobre se os Estados Unidos podem continuar a ingerir capitais e consumir mais do que produzem, com um deficit da conta corrente em 5,7% do PIB.

Uma crise correctiva poderia prejudicar a economia de um extremo ao outro do mundo, dado que nem a China nem a UE ou o Japão têm força para ser um contrapeso. O Hotel Europa em Davos não é apenas o local de dormida dos líderes mundiais, empresários e académicos que com ar sério e grave atravessam os corredores com os rabiscos dos seus e dos outros discursos, é um local que reúne todas as facilidades, entre elas a do piano bar onde o multimilionário e especulador húngaro George Soros, nunca o seria se dançasse com o dinheiro conforme dança com os pés; um autêntico desastre e mais ainda se tivesse como par a atabalhoada Princesa de Nassau.

Mas muito pior é a voz do patrão do Easyjet e das suas sereias, um completo momento de mau gosto global. Discutir a economia mundial e discursar sobre os países subdesenvolvidos chorando da compaixão que os mesmos merecem, não impede que hipocritamente um milionário encha numa noite do Hotel Europa um aquário de dólares e francos suíços para poder monopolizar o microfone cantando “I will survive” e outros sucessos de vulgaridade comercial musical.

Mas existem como dizemos em Portugal, certos Cromos do jetset mundial, que ano após ano vão transformando o Fórum Económico de Davos numa anormalidade sociológica, em que um grupo de pessoas paga dezenas de milhares de dólares para estar presente no meio de uma elite mundial que não preenche os requisitos e se justifica a sua presença para durante uma semana, nesta aborrecida estação de esquí, pretender consertar o mundo ou pelo menos prever os acontecimentos futuros.

Seria atingir o sétimo céu se pudessem cruzar-se ou tirar uma fotografia ao lado de Bill Clinton, Bill Gates ou Jolie, esta nova mater superiora da nova caridade global.

O Secretário-Geral da ONU Kofi Annan, que devia estar mais preocupado com o que se passa como o Irão e com a criação de um novo eixo do mal sul-americano que vamos analisar em vários meios de comunicação em tempo oportuno, resultado de um trabalho de pesquisa e estudo conjunto que fizemos com outros académicos de renome mundial, estando mais preocupado com o seu reconhecimento pessoal e não institucional.

Os Chefes de Estado e de Governo e Ministros, além dos Governadores de Bancos Centrais, xeques, líderes islâmicos e bananeiros nem sequer entraram no concurso. Entre os 2300 líderes convidados, entre eles os denominados por “young leaders” e não falamos de Eminem ou do Presidente da Turquia que passam desapercebidos, para não falar do Presidente do FMI, dissimulado na festa do Ministro da Cultura e cantor brasileiro Gilberto Gil.

Mas por entre a neve, o escorregadio pavimento e o confinado local do Fórum, Davos serviu para tudo em que os ricos levem por descuido óculos esquecidos numa mesa; o vison ou as botas de anoréxicas banqueiras, ou que algum político peça permissão para com o seu computador partilhar uma mesa presidencial; que o Príncipe da Noruega espere a sua vez para entrar na casa de banho; que o Presidente da Toyota faça fila para beber o seu café expresso e que a Princesa da Suécia se delicie com as idiotas histórias de uma advogada indiana, alheia a Thomas Friedman, do The New York Times, procurando para uma entrevista o Presidente do Paquistão Pervez Musharraf, ou simplesmente ver Ernesto Ekaizer, escritor e jornalista ou simplesmente escutar a música de Gilberto Gil. Para além do futuro energético, o destino de África, a falta global de imaginação ou os ciclos do comércio global.

O seminário mais requisitado pelos líderes políticos e empresariais, que deu lugar a repetição foi sobre sexo, dirigido pela Dr.ª D. O’Connor, que escreveu o livro “Como fazer amor com a mesma pessoa e continuar a gostar? É a fé que explica o interesse de tantas mulheres empresárias neste Fórum Económico Mundial de 2006.

Jorge Rodrigues Simão, in “HojeMacau”, 09.02.2006
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