JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

A ameaça das alterações climáticas

“Leaked drafts of the assessment predict that Earth's surface temperature will rise by 4.5 C (8.1 F) or even higher if carbon dioxide levels in the atmosphere increase by half compared with today's concentrations.”

Marlowe Hood

O debate pela ameaça das alterações climatéricas, tem aumentado no Congresso dos Estados Unidos, onde cientistas e legisladores acusam o governo do Presidente George W. Bush, de ter dado pouca importância ao problema durante os últimos cinco anos.

Numa audiência do Comité de Supervisão e Reforma do governo, o seu Presidente, o senador democrata pelo Estado da Califórnia, Henry Waxman, acusou directamente, na última semana de Janeiro passado, a administração do Presidente, de manobrar a seu desejo a informação, sobre as advertências de que uma alteração climatérica, poderia ter efeitos catastróficos para o planeta.

Os funcionários públicos adstritos ao governo, fizeram tudo para enganar a população, ao injectar dúvidas sobre os dados científicos relativos ao aquecimento global. Na audiência, compareceram dois grupos de defesa do ambiente, que entregaram um estudo, no qual cientistas governamentais, afirmaram, que as suas investigações foram publicadas ou, que não deviam fazer referência directa ao aquecimento global ou à alteração climática.

É de supor que foram impedidos de falar com os meios de informação, a respeito das suas pesquisas. Tratou-se de uma campanha orquestrada para enganar o público.

Esta evidência demonstra, que a interferência política na ciência climatológica, não é uma série de incidentes isolados, mas um sistema epidémico. Os dados do relatório que foi dado a conhecer em Paris, pelo Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudança Climática (IPCCC), a 2 de Fevereiro, afirma que a escassez de água causada por esse fenómeno, afectará biliões de pessoas até 2080.

As temperaturas aumentaram entre 0,7 e 0,8 graus centígrados desde 1900, o que provocou o desaparecimento de recifes de corais, no Mar das Caraíbas e no Oceano Índico. Um aumento situado entre 2 e 3 graus centígrados sobre os níveis de 1900, significará o possível colapso do sistema amazónico na América do Sul.

O Presidente George W.Bush, consciencializado ironicamente pela primeira vez, no seu discurso sobre o Estado da União, mencionou de forma breve a essa situação, e reconheceu que o aquecimento global é um desafio sério.

Apesar de ter sido uma atitude hipócrita, concordou sobre a sua existência, mas, absteve-se de propor medidas para reduzir as emissões, porquanto, segundo argumentou, produziriam um grave dano à economia do país.

Em jeito de compensação propôs medidas para reduzir o consumo da gasolina em 20% nos próximos 10 anos, recorrendo ao uso de combustíveis alternativos e ao aumento do emprego de combustíveis fósseis em veículos motorizados.

Esta não é a primeira vez, que o governo foi acusado de manipular a informação.

Há cerca de dois anos, um cientista da NASA, denunciou que a administração Bush enganava os americanos, ao suprimir evidências a respeito do perigo que representavam os gases de estufa.

Por outro lado, representantes da indústria petrolífera, membros de um conselho de assessoria do Presidente Bush sobre questões ambientais, tinham dado a sua opinião, sobre os relatórios que os cientistas apresentaram ao governo.

Nem todos os assessores estão convictos da ameaça que se concentra sobre o clima. Existe um grupo reduzido de senadores republicanos, que defendem a teoria de falta de provas científicas convincentes, de que a actividade humana, ocasione a alteração climática. A audiência do comité parece ser a primeira crise, na controvérsia, que continuará durante todo ano no Congresso.

Os democratas, que actualmente controlam o Senado e a Câmara de Representantes, anunciaram, cinco propostas de lei, que impõe limites obrigatórios à emissão de gases estufas.

Essas propostas têm o suporte do senador republicano John McCain e dos democratas como é óbvio, contando-se entre eles, Barack Obama e Hillary Clinton, aspirantes à candidatura presidencial pelos seus partidos, nas eleições do próximo ano.Acerca do relatório do IPCCC, deram-se os debates, que suportam a ideia, de que se deve moderar o pessimismo sobre a subida dos níveis marinhos.

O Presidente George Bush não aceita restrições obrigatórias às indústrias petrolíferas. O terceiro relatório de 2001, previa que o nível dos oceanos podia subir de alguns centímetros a cerca de um metro durante o século XXI. Será uma catástrofe para as grandes áreas urbanas, situadas em planícies ou deltas e para Estados insulares.

O novo relatório atenua esses receios. Em primeiro lugar, transfere a crise para o século XXII, nas grandiosas e não dissimuladas expressões do Presidente do IPCCC, o cientista indiano, Rajendra Kumar Pachauri, maxime, quando a Índia, é um dos maiores países poluentes a nível mundial.

Em segundo lugar, o relatório prevê que a temperatura global subirá de 1,8 a 4 graus centígrados durante o presente século e, o nível dos mares aumentará entre 18 a 59 centímetros.

Existirão mais tufões, ciclones, chuvas e inundações. As vagas de calor serão mais frequentes, e as de frio menos; produzir-se-á o derretimento de glaciares e calotes polares.

À primeira vista, parecem sinais alarmantes. Feitas as avaliações das respostas de membros do IPCCC, e a revistas científicas, um grupo de meteorologistas sustenta que as presunções são por demais optimistas e erróneas.

Face a compromissos políticos ou pressões de algumas potências petrolíferas, o relatório final põe de lado dados sobre as calotes polares.

Em particular, no Árctico. É de supor que os processos elevarão os níveis de mares e oceanos mais do que o previsto pelo IPCCC.

Os cientistas dissidentes, afirmam que seria melhor alterar o relatório final, mas talvez seja demasiado tarde, mas de todas as formas, o IPCCC terá perdido a fiabilidade e os seus futuros trabalhos serão irrelevantes.

O entusiasmo de muitos cientistas, ir-se-á diluindo-se à medida que a IV avaliação deixe de ser credível. Ao contrário, do que se prognostica no relatório final, em geral, oceanógrafos e meteorologistas, crêem que se acelera o avanço das águas sobre as costas, sendo o critério dominante, ainda que, não oficial na Administração Nacional Oceanográfica e Atmosférica dos Estados Unidos.

Os cientistas membros do IPCCC, quando interrogados, afirmaram que as medições feitas a partir de satélites, foram-se aperfeiçoando nos últimos doze anos, o que seria difícil retirar conclusões a longo prazo.

Certo é, quem teve oportunidade de ler o relatório, as mesmas foram retiradas. Todavia, os modelos avaliados não podem explicar grande parte do derretimento observado desde 2004. As hipóteses de 2001 parecem mais válidas do que as novas.

Existem dilemas no relatório do IPCCC, em todo o caso, deviam ter clarificado que as suas projecções não incluem factores como o movimento de glaciares e calotes polares, que tendem a acentuar-se.Terem subestimado os níveis extremos do mar nas hipóteses de 2001, criará falsas informações em governos, meios de comunicação e nos cidadãos. Na verdade muitos cientistas americanos têm vindo a afirmar que os números de 2001 eram demasiado optimistas.

A dúvida persiste, acredita-se no relatório de 2001 ou de 2004? Parece-nos que o de 2001 é o mais confiável.

Jorge Rodrigues Simão, in “HojeMacau” 15.02.2007
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