JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

O presente como ponto de partida

Firewall: Financial Crisis of 2007-2013 - Full Documentary

GFC1

The prevailing ideology of the modern west - which is political economy - is in the doghouse. Having failed to notice atmospheric pollution, the economists then frightened themselves with the sort of financial crisis they said they had abolished.

James Buchan

 

A crise financeira global que eclodiu em 2007 de forma marcante no cenário mundial, ainda que a sua presença se fizesse notar anteriormente e permanecesse encapotada, trouxeram luz a diversas realidades que até então eram só objecto de debates académicos.

A decisiva e crescente intervenção do Estado na economia e as exigências por uma maior intervenção estatal ganharam adeptos entre as vítimas reais ou presumiveis da catástrofe financeira, isto é, quase todos os intervenientes. Foi como um espelho que se partiu em mil pedaços.

Tentar recompor e reconstruir a imagem que reflectia, ainda que fosse distorcida, é uma tarefa árdua e complexa, mesmo passados quase sete anos, pois os seus efeitos continuam a fazer-se sentir na economia mundial de forma dramática. Talvez porque faça falta um novo espelho que explique os cenários possíveis do que é designado por “A Grande Recessão”.

É obessessiva, como sempre, para o ser humano a indagação sobre o que acontecerá no futuro.É uma forma fútil, talvez, de controlar a incerteza, essa omnipresença angustiante. Os governos, políticos e empresas, em geral, querem conhecer as forças que moldam a política, economia, negócios, tecnologia, sociedade e o mundo.

O ponto de partida é sempre o presente que por vezes é extrapolado em demasia e as previsões resultam erradas. A predição, outras vezes intui mudanças disruptivas e acerta. É de considerar que cada pedaço da realidade e cada perspectiva para observar o que acontece contribui para preencher este quebra-cabeças e trata de decifrar o enigma.

Todavia, para alguns, é previsível uma segunda vaga de graves complicações financeiras. Há quem ponha um acento tónico de como será o capitalismo que virá e quais são os riscos morais de resgates impressionantes e como será a indústria do fututo.

Existem outras preferências que indagam sobre o poder no mundo; se o ressurgimento asiático é impossível de deter; se os Estados Unidos consigarão recuperar; se a Rússia esta ameaçada por outro surto nacionalista; se a China está condenada a liderar; se a América do Sul tem uma brilhante oportunidade ou está presa ao seu papel de fornecedor de matérias-primas.

Não e de capital importância saber se a crise global é igual ou pior que a de 1930. São economias, finanças e mundos muito distintos para se fazerem comparações lineares. O certo, é que se trata de uma situação excepcional de extraordinária gravidade, que cria dúvidas angustiantes sobre o futuro imediato, que destrói todas as ideias ortodoxas sobre a intervenção do Estado e saúde do capitalismo, e que mostra de forma inequívoca que não existe mais a pretensão de um mundo unipolar.

Sobretudo, e sobre as profundas transformações sociais que acarretará este processo, objecto destes textos que, pretendem dar uma explicação coerente e que considerado cada um por si só, oferece sem pretensões balofas, inumeráveis facetas da realidade.

 

Jorge Rodrigues Simão, 17.04.20123

 

A seguir: O prognóstico do desastre

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