JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

As leis da globalização (II) Continuação

Aglobalization

PERSPECTIVAS - As leis da globalização (II) - Continuação - HojeMacau -05.03.2018

“The BRI launched by President Xi Jinping in 2013, which is intended to promote economic development and exchanges between China and more than 60 countries, is gaining momentum. The revival of the ancient Silk Road economic “belt,” combined with the 21st Century sea lanes of communication known as the “road,” is intended to enhance global connectivity and increase commercial activity”.

China's Private Army: Protecting the New Silk Road

 Alessandro Arduino

 As empresas multinacionais precisam de elaborar agendas governamentais e societárias que estão localizadas e ligadas entre países. As pressões anti-globalização exigem que as multinacionais ofereçam mais benefícios locais e os comuniquem nos países onde operam. Esses esforços devem ir muito além da conformidade, incluindo contribuições sob a forma de empregos e tecnologia. A reacção contra a globalização, também é em parte contra os enormes negócios, alguns obscuros. É claro que existem riscos a avaliar para se poder ir mais longe na localização. É de considerar que ainda que abominável, a IBM colaborou com a ascensão do regime nazi na Alemanha e ao invés de recuar, mesmo quando ficou esclarecido que o recenseamento da empresa estava a ser usado para identificar os judeus por perseguição, procurou expandir os seus negócios com o governo nazi, a ponto de em 1937, o então presidente, ter sido premiado e ter aceitado uma medalha de Hitler por serviço ao Reich.

Actualmente tal estratégia não mereceria qualquer consideração. A lei da semi-globalização também proporciona uma visão importante ao abordar grande parte do nosso mal-estar actual, incluindo, mas não confinado ao sentimento anti-globalização, que requer mudanças na política doméstica, mais que o encerramento das fronteiras. É de atender que uma das principais queixas sobre a globalização é a sensação de que contribuiu para o aumento da desigualdade de rendimentos, e que uma grande parte da população nas economias avançadas, foi esquecida. A desigualdade de rendimentos, nos Estados Unidos aumentou recentemente para os níveis existentes na década de 1920, e outros países, especialmente desenvolvidos, registaram aumentos similares, ainda que menos dramáticos. Os lucros das empresas estão a produzir-se, atingindo os mais altos níveis históricos.

A percepção generalizada é de que a globalização é principalmente culpada por esse problema, sendo no entanto, improvável. A maioria das pesquisas sugere que o progresso tecnológico e (nos Estados Unidos) o declínio dos sindicatos têm sido o maior contribuinte para a desigualdade, mais que a globalização. A corroboração é fornecida por exemplos, tal como, se os Países Baixos puderam preservar uma distribuição mais razoável de rendimento, apesar de ter uma relação comércio/PIB seis vezes maior que a dos Estados Unidos parece estranho culpar a globalização pelo nível muito maior de desigualdade na economia dos Estados Unidos. E mesmo que se incline a apontar o dedo para a globalização, é claro que o proteccionismo é uma solução muito mais dispendiosa do que as redes de segurança governamentais, aumentos no salário mínimo, mudanças na política fiscal e programas de formação de trabalho.

Tais políticas geralmente não são favorecidas pelos grandes negócios, e as vozes corporativas que os defendem têm um clamor poderoso. Além disso, encerrar as fronteiras nada traz de positivo para a preparação de um país a lidar com as ameaças relacionadas com a automação de empregos que dominam o debate sobre o futuro do trabalho. Quanto à questão da prosperidade global e de como a conseguir, torna necessária uma avaliação aprofundada dos vários danos causados pela globalização, como os riscos associados aos desequilíbrios internacionais no comércio e no investimento, que são reais e significativos. A maioria dos demais riscos, no entanto, revela-se exagerada em relação aos níveis reais de integração internacional. A contribuição do transporte aéreo internacional para as emissões de gases de efeito estufa relacionadas à energia, por exemplo, ‘tem o mesmo peso que o número de viajantes aéreos britânicos e para lidar com o aquecimento global, seria muito mais eficaz abordar fontes maiores como a habitação ou o tráfego automóvel.

A abertura internacional deve ser combinada com políticas domésticas específicas para enfrentar os efeitos colaterais da globalização. A perspectiva que se defende oposta à da aparente preferência do presidente Trump pela desregulamentação doméstica e pela intervenção internacional, leva a defender o que pode parecer politicamente alinhado, mas está enraizado na noção comum de que a estratégia de mercado e de uma empresa deveria ser comercialmente direccionada. Se uma empresa é ou pode ser global, não é boa ideia apoiar activamente as políticas que criam barreiras ao comércio e aos fluxos de capital, tornar as pessoas menos móveis e deslegitimar a ideia de que as empresas podem contribuir para o bem-estar das pessoas mais que um país, apesar de a preferência ser o lucro para o accionista. A longo prazo, as empresas que dependem fortemente do “sourcing” do exterior (como a Walmart) e as que exportam muito mais do que importaram (como a GE) beneficiarão da união de forças para se opor ao proteccionismo.

É de recordar que há cento e cinquenta anos, as empresas que atravessavam as fronteiras envolveram-se principalmente no comércio, mas, no século XX, começaram a investir na localização da produção. O recente surgimento de uma nova forma corporativa dita que a empresa globalmente integrada, as fronteiras estaduais definem cada vez menos os limites do pensamento ou da prática corporativa. Em primeiro lugar, a corporação global nunca se tornou quase tão integrada como se profetizou, e o volume de mudanças necessárias se a globalização entrar em reversão é menor do que as pessoas possam pensar. Em segundo lugar, ainda não está claro se um recuo da globalização ocorrerá, pois a actividade internacional estagnou nos últimos anos, mas não foi uma queda significativa. E em terceiro lugar, mesmo que a globalização tenha sofrido uma inversão violenta semelhante à experimentada no início da década de 1930, o mundo continuará a ser mais globalizado em termos de comércio e investimento estrangeiro directo do que na década de 1920, e muito mais que no século.

Assim, reverter para a estrutura multinacional de cem anos atrás ou para as estruturas comerciais de cento e cinquenta anos diminuem as probabilidades. A estratégia e a prática de globalização avançaram muito além das prescrições que os modelos históricos implicariam, e os líderes ficariam mal vistos por recuar, apesar do sentimento público sobre a globalização ter dado uma volta. A eleição de Donald Trump, o “Brexit” e o surgimento de partidos de ultra-direita na Europa são sinais de crescente desagrado popular para com a livre circulação do comércio, capital, pessoas e informações. Mesmo entre os líderes empresariais, as dúvidas sobre os benefícios da interligação global surgiram durante a crise financeira de 2008 e não foram totalmente afastadas. A globalização económica foi um tema candente no “Fórum Económico Mundial”, que encerrou em Davos, a 26 de Janeiro de 2018. Os participantes da reunião anual concentraram-se em soluções para um mundo fracturado e na criação de um futuro compartilhado. Embora o proteccionismo comercial esteja a aumentar em alguns países ocidentais, os seus líderes abstiveram-se de expressar oposição contra o tema do fórum que foi “Criando um futuro compartilhado em um mundo fracturado”.

A tempestade cerebral este ano viu a China, defensora da globalização e uma das suas forças motrizes. O tema do fórum ecoou o discurso inaugural do presidente chinês no ano passado. No fórum de Davos de 2017, o presidente chinês defendeu a construção de um mundo com um futuro compartilhado para a humanidade e uma comunidade internacional aberta, inclusiva e vantajosa para todos. A sua visão foi aplaudida e a discussão sobre o tema continuou este ano, tendo-se tornado o principal objectivo da comunidade internacional de salvaguardar e impulsionar a globalização, pois os movimentos anti-globalização afectaram negativamente o mundo. Houve muitos tópicos relacionados com China, com vários simpósios realizados, com foco na sua participação na governança global, nas políticas económicas do país, no impacto internacional da “Iniciativa: Um Cinturão, Uma Rota” e das oportunidades que apresenta para o resto do mundo.

A comunidade internacional reconheceu o contributo da China para a globalização em termos de crescimento económico e soluções propostas. A China também é esperada por muitos países para desempenhar um papel mais importante na governança global. Em face de desafios globais como alterações climáticas e terrorismo, nenhum país pode lidar só com tal cenário. Quanto às oportunidades da quarta vaga da revolução industrial, inteligência e outros avanços tecnológicos, nenhum país pode impulsionar sem compartilhar com os outros. A cooperação orientada para resultados, promovendo a globalização em uma direcção mais aberta, inclusiva e equilibrada, deve ser o consenso de todos. O conceito do presidente chinês de construir um futuro partilhado foi escrito em documentos da ONU. Apoiado pela comunidade internacional, esse conceito está a ser colocado em acção. A “Iniciativa: Um Cinturão, Uma Rota” proposta pela China, injectou um ímpeto na globalização e espera-se que a comunidade internacional trabalhe em conjunto para construir um futuro melhor para todos.

 

Jorge Rodrigues Simão, in “HojeMacau”, 05.03.2018

 

 

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